Feminismo na Cozinha: Mulheres que assumiram o controle num ambiente dominado por homens

“Lugar de mulher é na cozinha”. A frase, repetida insistentemente de forma pejorativa, é verdade apenas no âmbito doméstico. Dentro dos lares brasileiros, a mulher é quase sempre responsável por suportar sozinha todos os cuidados com a casa, filhos e alimentação e, muitas vezes, quando não cumpre essa última “função” é agredida pelo próprio companheiro.

De acordo com uma pesquisa do Ibope, 13% dos entrevistados apontaram “a falta de comida em casa”, como motivo para as agressões domésticas.

Nas cozinhas profissionais e no topo das grandes redes de alimentação às mulheres ainda são minoria. Em grandes prêmios de gastronomia, as representantes do sexo feminino não aparecem sequer como concorrentes.

A despeito de todas as barreiras impostas pelo cultura machista, diversas mulheres conquistaram o seu espaço. Demonstrando talento para além daqueles cozinheiros e executivos que as discriminam, cozinheiras, pesquisadoras e administradoras ano a ano ocupam seu lugar no topo do food service.

Ao longo do presente artigo, apresentaremos 5 dessas mulheres que quebraram os tabus da profissão e ganharam notoriedade e fama dentro e fora das cozinhas.

Helena Rizzo | Chef do Maní

Para abrir nossa lista, temos a mulher que já foi eleita a melhor chef do mundo. Helena Rizzo comanda o Maní em São Paulo e é a única brasileira a ostentar uma estrela no prestigiado Guia Michelin. Dos 50 estabelecimentos considerados os melhores por esse guia, apenas dois são comandados por mulheres.

Helena diz que sempre encontrou na figura de mulheres, como sua mãe e sua tia, as grandes inspirações na cozinha. A chef admite que quando começou era minoria, mas que aos poucos vê a situação melhorar e outras mulheres ocuparem seu lugar neste ambiente.

Anne-Sophie Pic | Chef do Vale do Rhône

Junto com Helena, Anne-Sophie é uma das poucas representantes mulheres no  Guia Michelin. Ela é a única mulher com três estrelas no Guia, reconhecimento máximo de um restaurante dentro da gastronomia.

Anne Sophie Pic, única mulher chef de um restaurante 3 estrelas (Reprodução do Facebook).

Mas para atingir tal posição, Anne-Sophie teve que apagar sua presença feminina. “É horrível dizer isso, mas me esforcei muito para que esquecessem que sou mulher, para que os homens me aceitassem como chef no setor”, afirmou.

Ana Claúdia Heidel | Gastrônoma e Pesquisadora

No terceiro posto de nossa lista, uma pesquisadora e gastrônoma que já atuou como chefe executiva de restaurantes e até de governos e tornou-se uma referência em história da gastronomia e presença da mulher na cozinha.

Mesmo com tanto prestígio, Ana Claúdia Heidel confessa que ao chefiar uma cozinha repleta de homens as piadinhas são quase inevitáveis. Sempre que precisa adotar uma postura mais dura com os liderados, ouvia “Tu é sapatão”, “Tu é mal amada”, “Tá na TPM”.

Os episódios isolados ocorridos com Ana, são reflexos de um preconceito histórico que denota do século XIV, quando surgiu a posição de cozinheiro profissional.

“Um rei da idade média dizia que dois líderes podiam eliminar um exército, um era o general e outro era o cozinheiro. E essas funções não eram dadas às mulheres, devido aos humores. Aquela questão que a mulher tem um desequilíbrio emocional. Vai que a mulher tá mal amada aí e envenena todo mundo”. Como afirmou Ana ao canal, Você é Feminista e Não Sabe (nesse canal, você confere o resto dessa entrevista).

Paola Carosella | Chef do Arturito e Jurada do MasterChef

Essa cozinheira é, muito provavelmente, a maior celebridade da nossa lista.

Famosa por suas caras enigmáticas, Paola é jurada da maior competição culinária do Brasil, ao lado de dois homens. Nessa posição Paola já teve de repreender diversos comentários machistas, como do participante Ricardo Amaral, que comparou a cozinheira com pedaço de carne.

Paola repreendeu até seu colega de bancada, Erick Jacquin. O francês disse que duas das candidatas do programa estavam prontas para casar.

Além da posição de jurada, Paola ocupa também o posto de proprietária e chef de duas renomadas casas em São Paulo, o Arturito e o café La Guapa.

Suzanne Greco | CEO da Subway

Suzanne Greco, CEO do Subway (Foto Reprodução)

Também é uma mulher que comanda a rede Subway. Suzanne Greco ocupa o quarto lugar na Power List da revista Nation’s Restaurant News.

Greco é a única mulher CEO de uma rede com presença global na categoria de Quick Service.

A executiva começou a trabalhar na rede de lojas em 1973, como artista de sanduíche.

Desde então, galgou diversas posições no organograma da marca, tornando-se diretora da marca e CEO.

Apesar de tudo que foi dito, essas cinco mulheres ainda são minoria em um cenário dominado por homens e até mesmo agressivo às mulheres como demonstraram as falas das cozinheiras Anne-Sophie Pic e Ana Claúdia Heidel. Mas ano a ano, graças a essas cinco mulheres e outras centenas, que pouco a pouco dominam as cozinhas dentro e fora de casa, o mundo conseguem trazer mais diversidade para as panelas e os jovens cozinheiras podem viver seu sonho sem ouvir as mesmas ofensas e sofrer as agressões que suas antecessoras.

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