Contaminação de alimentos: o novo coronavírus pode ser transmitido pela comida?

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Existe algum risco de contrair o novo coronavírus pela contaminação de alimentos? Os restaurantes podem continuar a oferecer refeições? Os clientes podem continuar a comprar comida fora de casa?

Muitas são as dúvidas em torno do novo Coronavírus. E, muitas vezes, o medo é devido a falta de informação. Por se tratar de um novo tipo de contaminação nem tudo é sabido ainda. No entanto, a Goomer divide com você, o que também estamos acompanhando de perto e estudando por aqui. Confira!

Como ocorre a contaminação pelo vírus?

O vírus é transmitido por meio de gotículas que são liberadas pelo nariz ou pela boca, por uma pessoa já contaminada. Isso geralmente ocorre, quando essa pessoa tosse ou espirra.

Então, quando alguém tem contato essas gotículas e em seguida toca em áreas mucosas como olhos, boca ou nariz pode ser infectado. Entre alguns dos sintomas mais comuns identificados estão: febre alta, dores no corpo, dor de garganta e dificuldade para respirar – nos casos mais graves.

Mas afinal, será mesmo que os alimentos também podem ser transmissores desse vírus?

O coronavírus pode ser transmitido através de alimentos?

Alguns estudos divulgados recentemente revelam que não há nenhuma evidência da nova doença do coronavírus (Covid-19) ser transmitida através de alimentos ou das embalagens, como afirma Benjamin Chapman, professor e especialista em segurança alimentar da Universidade Estadual da Carolina do Norte:

Nós realmente não temos nenhuma evidência de que alimentos ou embalagens de alimentos sejam uma fonte para adoecer

Mesmo os dados científicos sobre o tempo de resistência de outros coronavírus em superfícies podem levar a conclusões divergentes.

Alguns indicativos asseguram que o vírus pode resistir em metal, plástico e vidro por até nove dias, em média. Os principais condicionadores seriam a temperatura ou a umidade do ar. Por outro lado, há quem defenda que não é possível determinar ainda o que causa o vírus e nem sobre outras formas de contágio.

Embora o Covid-19 teoricamente possa ser transmitido ao tocar em uma superfície contaminada e depois no nariz, boca ou olhos, esse não é o principal modo de transmissão, segundo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Todos os especialistas mundiais são unânimes e alertam que isso pode mudar a medida que mais informações estiverem disponíveis.

Mas mesmo em meio a todas essas incertezas uma coisa é certa: é preciso prevenir. E esse é um dos motivos que faz com que o contágio do Coronavírus pela contaminação de alimentos direta seja reduzida.

Por que a contaminação pelos alimentos é de baixo risco?

Fazendo uma rápida avaliação do cenário mundial e, especialmente aqui no Brasil, alguns indícios permitem dizer que a contaminação pelos alimentos é de baixo risco – visto que não há nenhuma morte associada a esse vetor.

Além disso, outros fatores também contribuem para que o ambiente da alimentação seja menos propenso a esse tipo de ação, como demonstrado a seguir:

As empresas do setor já contam com medidas rigorosas de segurança alimentar

Os bares e restaurantes sempre contaram com diversas regras em relação a segurança alimentar. Lavar as mãos com frequência, limpar as superfícies e utensílios e cozinhar os alimentos na temperatura certa são apenas alguns exemplos.

O que fazer durante este período? Todas essas boas práticas ajudam a reduzir qualquer transmissão de partículas de vírus através dos alimentos e devem continuar a ser utilizadas amplamente –  evitando inclusive a chamada contaminação cruzada.

O contágio do vírus é respiratório

Como afirma Chapman, o principal mode de infecção é respiratório. Logo, a chance de obter o Covid-19 através dos alimentos é extremamente baixa. A conclusão é baseada na falta de evidências do ciclo atual da doença e de outras em toda a história da Medicina mundial.

O que fazer durante este período? É claro que, você enquanto dono ou gestor de um estabelecimento de alimentação fora do lar, deve definir e ser bem rígido em relação à política de hiegiene saúde dos seus funcionários. Dessa forma, deve garantir que estão seguindo e cumprindo com as recomendações simples de proteção.

Vale lembrar que os trabalhadores com qualquer sintoma ou suspeita da doença, devem ficar em casa mesmo que não tenham sido diagnosticados.

A sobrevivência e proliferação do vírus é limitada

A biologia explica: geralmente, esse vírus não pode sobreviver por muito tempo em superfícies – diferente de outros vírus transmitidos por alimentos que apresentam maior resistência. Essa é a conclusão preliminar de um novo estudo conduzido nos Estados Unidos, como divulgado pela Livescience.

Outro dado muito importante é que os vírus não podem crescem ou se proliferarem dentro dos alimentos ou do estômago, como ocorre com as bactérias. Assim, a expectativa é a de que a presença dos vírus nos alimentos, quando e se ocorrerem, seja cada vez menor.

O que fazer durante este período? Embora não exista nenhuma comprovação de que as pessoas possam ser infectadas tocando a boca ou comendo alimentos contaminados, os  cuidados de higienização e segurança alimentar devem ser rigorosamente exigidos.

As grandes aglomerações foram extintas

Se considerássemos o movimento diário comum dentro de um bar ou restaurante, onde chegam a circular dezenas ou centenas de pessoas, certamente o risco de contágio seria elevado. Primeiro pelo fato de que muitas pessoas não apresentam sintomas – o que e poderia fazer com que contaminassem outras, sem saber. Depois, pela própria proximidade nos espaços físicos colocando em risco os frequentadores e os funcionários do local.

No entanto, esse não é o cenário atual em muitas cidades e Estados. Com os decretos ou medidas de isolamento social, a maioria dos bares e restaurantes já está fechado ou operando com portas fechadas.

O que fazer durante este período? Ainda que você esteja operando com delivery, drive thru ou takeaway, deve se preocupar com o preparo e distribuição dos alimentos. Desde o cozimento, até o envio em embalagens lacradas ao consumidor final.

Outro ponto essencial é o cuidado com os colaboradores internos e entregadores. Disponibilizar álcool em gel 70% para a higienização assim como luvas (se necessário), fará com que possam desempenhar suas atividades sem prejuízos à sua saúde ou dos clientes.

Veja a seguir também algumas dicas para a compra e venda de alimentos.

Dicas na hora de comprar e vender alimentos

Embora o risco de pegar o Covid-19 pela contaminação de alimentos seja baixo, existem práticas que podem ajudar a manter a qualidade e nutriente dos alimentos, assim como a tranquilidade dos seus clientes:

Alimentos crus ou in-natura:

  • A recomendação de lavar frutas e legumes frescos com água para remover sujeira, detritos e pesticidas e reduzir os níveis de germes transmitidos por alimentos é sempre muito bem-vinda;
  • Cozinhar os alimentos a 65 graus Celsius por 3 minutos pode ajudar a reduzir também os níveis de partículas dos vírus comuns.

Pratos prontos para Delivery e Takeaway:

  • Ao disponibilizar os pedidos, os embale devidamente e instrua o entregador sobre a melhor forma de entrega (alguns bares e restaurantes, por exemplo estão usando opções com menor contato);
  • Caso ofereça pratos prontos informe os clientes sobre a forma, data de preparo e validade;
  • Se preciso manusear os alimentos, antes de consumir, dê as orientações higiênicas necessárias.

Acredite: independente da pandemia, a segurança alimentar é indispensável para qualquer tipo de negócio no ramo da alimentação.

Então, desde que tomados os devidos cuidados, tanto você quanto o seu restaurante ou clientes não precisam se sacrificar. A forma de vender mudou, mas a preocupação com o que você coloca na mesa dos consumidores deve ser sempre a mesma!

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